“Magoei-te? Estás triste? Desculpa. Foi sem querer. Não vi. Eu não sabia. Não fui só eu, ela também. Gosto de ti. Tenho medo. Mas eu quero ser teu amigo. Eu ajudo-te. Consegui! Eu vou contigo. Não gosto. Está feio. Tu estás sempre a irritar-me. Eu acredito em ti. Estou triste. Eu sei que consegues. Desculpa outra vez. Eu não gosto. Tu não mandas em mim. Tu é que disseste. Já és meu amigo? Eu também gosto de ti”.

Percecionar, descodificar e gerir emoções é uma tarefa árdua e complexa, principalmente quando o desafio é entregue a crianças em idade de construir, todos os dias, o seu ‘eu’ e a sua relação com o outro. Por esse motivo, e numa ótica de criar pilares sustentáveis no desenvolvimento emocional e cognitivo dos alunos, tornando o contexto escolar num ambiente ainda mais rico em aprendizagens, o Colégio José Álvaro Vidal tem em vigor um Programa de Coadjuvação de Inteligência Emocional e Competências Sociais que abrange 14 turmas de 1.º ciclo, num total de 291 estudantes.

Dotar alunos com ferramentas emocionais sólidas e facilitadoras de relações

O projeto, que tem vindo a ser desenvolvido quinzenalmente pelos Professores Titulares de Turma e pelos Serviços de Psicologia e Educação, “é tão ou mais importante como a aprendizagem da Matemática, da Geografia ou da Língua Inglesa”.

Afirma-o Carla Alves, Professora de 1.º ciclo, certa de que “gerir emoções é um saber para a vida”, numa sociedade onde “urge fomentar valores” para “descobrirmos o outro e acreditarmos em nós”.

A opinião é, também, partilhada pelo Professor Álvaro Ganhão: “esta atividade está a ajudar cada criança a controlar os seus impulsos e emoções, auxiliando-a na relação com os outros e consigo própria, permitindo que esta seja menos agressiva e mais sociável”.

“A evolução interior e pessoal é magnifica”

Depois de um período a “dotar os nossos alunos com ferramentas emocionais mais sólidas que facilitem a relação do eu com o outro”, a evolução é notória: Rui Santos explica que houve o “desenvolvimento de sentimentos positivos de autoestima e uma crescente expetativa face aos próximos temas a trabalhar”, ciente da mais-valia “deste tipo de iniciativas” e esperando “a sua consolidação e eventual alargamento a todo o Colégio”. Para quem os acompanhou desde a primeira sessão, confessa agora que “a evolução interior e pessoal é magnifica”. A afirmação é da Professora Carla Inácio, que acredita que este Programa “permite dar mais um passo no crescimento de cada criança enquanto futura cidadã do mundo”.

Refletir e repensar: “para uma vida mais saudável e feliz”

Cada ação desenvolvida no âmbito deste Programa é “um espaço onde as atitudes e os comportamentos de cada um são colocados em perspetiva, mas sem juízos de valor”, relembrou Rui Órfão, também Professor do 1.º ciclo no Colégio José Álvaro Vidal. No seu testemunho acrescentou que os alunos são estimulados “a perceber o que dizem, pensam e fazem” e que “impacto isso tem nos outros e na construção da sua personalidade”.

Talvez por isso, um dos resultados mais visíveis passe pelo “esforço e comprometimento para resolver todas as situações de forma mais calma e pacífica”. Ana Luísa Pires explica: “a minha turma tornou-se mais colaborativa e empática em relação às dificuldades de todos e de cada um. Os alunos percebem hoje, mais facilmente, que através do trabalho de pares e da entreajuda, conseguimos maximizar o nosso ritmo e rendimento de trabalho”.

“Uma mais valia” que faz “refletir e repensar” ações e comportamentos para “uma vida mais saudável e feliz”. É desta forma que a Professora Rita Santos vê este projeto, que dá a cada aluno a possibilidade de “ter um momento para compreender e gerir as suas emoções e sentimentos”. Para Eduardo Cabrito: “com este tipo de abordagem, a turma pensa e escuta com mais tempo, principalmente as opiniões entre pares”. Isso é “impactante”, confessa, enquanto verifica que “os alunos têm modificado alguns comportamentos e atitudes, refletindo cada vez melhor sobre as mesmas”.

Resultados mais positivos em Sala de Aula

A receção positiva deste Projeto por parte de cada estudante envolvido no mesmo é outro dos pontos comuns entre os testemunhos dos Professores de 1.º ciclo do Colégio da CEBI. Com entusiasmo, os Docentes explicam que “ao longo das sessões, os alunos participam ativamente, dão exemplos práticos e reconhecem situações que ocorrem entre eles”. Exemplifica-o Ana Rita Matos, seguida de Tânia Roberto, que caracteriza o Programa de Coadjuvação de Inteligência Emocional e Competências Sociais como “muito interessante e expectante”. Para esta Professora, “os alunos têm-se sentido mais à vontade para falar sobre experiências próprias, desabafando sobre o que estão a sentir, para além de que evoluíram muito ao nível da responsabilidade e no que diz respeito ao seu sentido de cidadania”.

O reflexo destas aprendizagens no contexto de Sala de Aula é naturalmente visível e palpável. Com o “melhoramento dos relacionamentos interpessoais”, através da maior “capacidade de tomar decisões”, com o desenvolvimento de “relacionamentos mais empáticos” e com a diminuição “dos níveis de ansiedade e dos pequenos conflitos”, os resultados só podem ser “mais positivos”.

A revelação foi feita pela Professora Leonor Pinto e complementada por Céu Rito: “as crianças ganharam mais controlo sobre os seus impulsos. Estas sessões dão-lhes oportunidade de crescimento de uma forma mais tranquila”.

Com o regresso do Ensino à Distância, é o Professor Sérgio Alves quem deixa a sugestão: “seria importante darmos continuidade a este Projeto”, mesmo em sessões exclusivamente online, “no sentido de ajudar os alunos a gerir os vários sentimentos associados ao retorno repentino a casa”.



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