Entre a exigência académica e a disciplina do desporto de alto rendimento, Gonçalo Henriques, atualmente com 17 anos, tem vindo a construir um percurso marcado pela consistência e pela ambição. Divide o seu quotidiano entre os estudos e o karaté, modalidade na qual já alcançou reconhecimento nacional, europeu e mundial.
Foi no Colégio José Álvaro Vidal (CJAV), que frequenta desde a creche, que construiu esse percurso, conciliando a exigência escolar com uma carreira desportiva de elevada competição. “O incentivo à prática desportiva, promovida pelo Colégio, é muito importante para a minha gestão enquanto estudante e atleta”, conta.
O karaté passou a ser um compromisso
O contacto com o karaté aconteceu cedo, aos quatro anos, por decisão dos pais, inicialmente como atividade extracurricular na Fundação CEBI. Começou por ser apenas uma prática semanal, até que, por volta dos dez anos, ganhou um significado diferente. “Depois de uma conversa com o sensei João Carreiro percebi que gostava mesmo de karaté e que era algo a que me queria dedicar.” Desde então, o karaté passou a ser um compromisso.
Hoje, o que o motiva é a exigência constante da modalidade. “O karaté obriga-nos a procurar sempre melhorar. Mesmo quando se evolui, há sempre algo a corrigir”, refere o atleta. Essa procura refletiu-se num percurso competitivo sólido, com títulos nacionais, europeus e mundiais em kata, tanto em provas individuais como de equipa, nas principais Organizações de Karaté Shotokan.
A primeira representação pela Seleção Nacional aconteceu em 2022
Depois de iniciar a prática desportiva na Fundação CEBI, Gonçalo Henriques manteve-se ligado ao CJAV até 2021. Nesse ano, integrou o Futebol Clube de Alverca, onde atualmente treina, em média, dez horas semanais, ajustando a carga de trabalho às competições e às prioridades escolares. “Sinto que a minha evolução tem sido muito positiva, sobretudo graças ao acompanhamento e apoio diário dos meus treinadores”, sublinha.
A primeira representação pela Seleção Nacional aconteceu em 2022, no Campeonato da Europa da ESKA, na Suíça, quando tinha 14 anos. A partir desse momento, competir com atletas de diferentes países passou a fazer parte da sua experiência.
“Vestir o equipamento da seleção dá-me muito orgulho. Lembro-me sempre do esforço que me trouxe até aqui e tento representar Portugal da melhor forma possível”.
Conciliar o karaté de alto rendimento com a escola tem sido um desafio permanente. A gestão do tempo exige disciplina e foco, mas o apoio da comunidade escolar tem sido determinante. “A flexibilidade dos professores, a ajuda inegável dos colegas para recuperar a matéria e a compreensão quando estou em competição fazem toda a diferença”, afirma.
O apoio familiar é também apontado como essencial em todo o percurso: “A presença nas competições nacionais e internacionais, deixa-me mais calmo e confiante.” Quanto ao futuro, prefere falar em objetivos e não em sonhos. A curto e médio prazo, pretende concluir o curso de treinador de karaté - Grau 1 do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e continuar a competir ao mais alto nível. O resto, diz, constrói-se com tempo, trabalho e determinação.
Gonçalo Henriques com os colegas.