O essencial é saber ver, 
Saber ver sem estar a pensar, 
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê, 
Nem ver quando se pensa. 
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!), 
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender. 

[ Alberto Caeiro, Poema XXIV ]
 
A suspensão brusca das atividades letivas presenciais, imposta no dia 13 de março devido ao contexto de pandemia, representou um complexo e significativo repto a que o Colégio se dispôs responder, visando manter a qualidade da oferta educativa.

A necessidade de adaptação à nova realidade fez com que a reflexão sobre práticas e metodologias fosse constante. A transição de modelos contemplou três momentos de análise, reflexão e implementação:

Redesenhar a Escola; identificar as características estruturais do plano E@D para perspetivar melhorias e adequar metodologias ao contexto presencial e de e-learning.

Assumindo a Educação como um direito fundamental e agente promotor do desenvolvimento social, económico e cultural do indivíduo e da comunidade, o Colégio mobilizou competências e experiência para construir uma resposta, que mantivesse o valor da oferta educativa. 

Levantamento de necessidades

Na elaboração do plano E@D, realizada num período célere de 13 a 16 de março, contemplaram-se duas etapas. Num primeiro momento, efetuou-se o levantamento de necessidades em termos de recursos informáticos de todos os alunos e, em colaboração com o Departamento de Sistemas de Informação, assegurou-se um contacto digital institucional aos alunos (email) bem como os recursos materiais necessários para o acesso ao Ensino a Distância. 

Num segundo momento, no nível pedagógico, foi considerada a adaptação de tempos curriculares e letivos, associados às disciplinas, bem como a sugestão de recursos digitais e plataformas a utilizar.

Considerando-se a implementação do modelo uma fase de experiência e adaptação a esta nova realidade, privilegiou-se a relação pedagógica entre alunos e Professores através da realização de videoconferências, reforçando-se o contacto permanente com o Diretor de Turma.

O plano E@D, iniciado a 17 de março, contemplou a intenção de dar continuidade ao Projeto Educativo, fomentando a aprendizagem e o investimento na formação individual de cada aluno.

Identificar as características estruturais do plano E@D para perspetivar melhorias

Na implementação do plano E@D do terceiro período, tornou-se necessário redefinir a operacionalização do processo pedagógico.  

Efetivou-se a aplicação de questionários de recolha de opinião a alunos, Encarregados de Educação e Professores. Foi evidenciado, no balanço e análise destes, o reconhecimento geral no que se refere à capacidade de resposta do Colégio assim como a adequação das estratégias pedagógicas implementadas.

A aposta numa oferta diversificada em termos de estratégias e metodologias digitais, bem como a relação pedagógica norteada pela confiança no domínio do saber, do ser e do saber ser, assumiram-se como fatores valorizados aquando do balanço efetuado.

Tendo em conta a análise realizada, foram identificadas perspetivas de melhoria, nomeadamente a uniformização de plataformas e procedimentos, uma readaptação dos horários e a inclusão de tempos síncronos na área disciplinar de Educação Física, visando promover o bem-estar e saúde dos alunos.

Considerou-se igualmente necessário estabelecer Critérios de Avaliação adequados ao contexto de Ensino a Distância.

Adequar metodologias ao contexto presencial e de e-learning

No início do mês de maio, o Ministério da Educação formalizou as orientações específicas para alunos do Secundário, nas quais se prevê a conjugação de ensino presencial e Ensino a Distância para o ano de escolaridade sujeito a avaliação externa, no caso do Colégio, os alunos de 11.º ano.

Para os referidos alunos coexistem dois modelos de ensino, ou seja, disciplinas em que se mantém o Ensino a Distância e outras unicamente em ensino presencial.

Para efetivar a conjugação destes dois modelos, minimizando os riscos para a saúde, foram organizados horários, que promovem o desfasamento da frequência de pequenos grupos de alunos e asseguram o menor tempo destes no espaço físico da Escola. 

No dia 18 de maio, conscientemente conhecedores e esclarecidos dos procedimentos contemplados no Plano de Contingência de retorno à atividade letiva presencial, alunos de 11.º ano e Professores das disciplinas sujeitas a exame nacional, regressaram confiantes e saudosos ao contexto de sala de aula. 

A Fundação CEBI assegura a disponibilidade de todos os recursos, que potenciem a segurança e saúde a todos os alunos e Professores, garantindo o cumprimento e a eficácia de todos os procedimentos, contemplados no Plano de Contingência do Ensino Secundário do Colégio José Álvaro Vidal. 

O Ensino Secundário, um projeto ambicionado pela Fundação CEBI e concretizado no Ano Letivo 18/19, reforçou-se orgulhosamente, neste cenário de constrangimentos, como um ensino personalizado nos cursos científico-humanísticos, garantindo a todos os alunos um acesso eficaz e de qualidade ao processo ensino-aprendizagem. 

Num contexto atípico e num momento adverso, o Colégio revelou o dinamismo e organização necessários para responder a este desafio educativo, procurando maximizar as qualidades e minimizar as fragilidades desta modalidade de ensino, objetivando a excelência na Educação e a intenção de dar continuidade à qualidade educativa a que nos propomos.

Num cenário de circunstâncias críticas, solidificou-se a relação de confiança com os alunos e as famílias, valorizou-se o incontornável papel da Escola como um local de partilha, de socialização, de consciencialização do papel individual no cenário da Educação para a Cidadania Ativa.

Na sequência da resposta efetivada pelo Colégio ao desafio educativo imposto, remiram-se os seguintes princípios: 

1 - Reforçar a Escola como um ativo no futuro dos jovens;
2 - Evidenciar a escola como espaço de práticas de ensino e de aprendizagem para o Desenvolvimento Humano;
3 - Potencializar a inovação e organização centrada numa lógica de trabalho colaborativo;
4 - Valorizar a participação e o reforço da autonomia e responsabilidade pessoal e coletiva.



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