Alice estava aborrecida. Questionava tudo constantemente. O que outrora lhe dava prazer, provocava-lhe agora um grande aborrecimento. Alice já não via as cores do arco-íris, não dançava ao som de nenhuma música, não brincava com bolas de sabão. E também já não se entusiasmava perante as mais diversas manifestações artísticas.

Alice estava a crescer. Encontrava-se em transição entre a Infância e a Adolescência. Sentia-se perdida na sua própria identidade e no seu corpo, que se desenvolvia depressa demais. A personagem principal da Festa de Encerramento de Ano Letivo do Colégio José Álvaro Vidal (CJAV) respirava “tédio” em palco, como tantas outras Alices quando partem numa viagem evolutiva pelo caminho labiríntico da autodescoberta.

Nesse percurso atribulado, espelhado em cinco palcos distintos, passaram centenas de alunos de 4 e 5 anos do Pré-escolar e do 1º, 2º e 3º ciclos, até chegarem a um País onde Alice achava que faltavam Maravilhas.

Valorização de inteligências múltiplas e de aprendizagens diversas

Por lá, depararam-se com o caos: atravessaram a irracionalidade, assistiram a situações absurdas, sujeitaram-se a diversas imposições e contracenaram com personagens de um mundo novo, perdendo referências antes tomadas como certas.

O objetivo era claro: responder à pergunta que constantemente os perseguia. “Quem sou eu, então?”. No final do caminho, onde também participaram os alunos das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) de Expressão Corporal, de Dança Curricular, de Teatro, de Ginástica Acrobática, de Dança Jazz e Contemporânea, todos conseguiram encontrar-se. Depois de um trabalho árduo, onde se encorajou e se valorizou inteligências múltiplas e formas de aprendizagem diversas.

150 anos de “Alices” no País das Maravilhas

O Chapeleiro louco, o Coelho branco, o Gato misterioso, a Rainha de copas e outras tantas personagens carismáticas fazem parte do imaginário das histórias infantis desde julho de 1865, altura em que o matemático Charles Dodgson, com o pseudónimo Lewis Carrol, apresentou, pela primeira vez, a obra 'Alice no País das Maravilhas'.

O livro intemporal e ambíguo, que consegue esbater as fronteiras entre o que é literatura para crianças e para adultos, completou este ano o 150º aniversário e conta com centenas de adaptações, versões, traduções e ilustrações. A obra, que serviu de inspiração para esta Festa de Encerramento de Ano Letivo, foi ainda adaptada para cinema, pela Disney e por Tim Burton, e para as mais variadas peças de teatro e musicais.

As personagens da história, que começou por se chamar “Alice’s Adventures under Ground”, são ainda hoje reconhecidas por muitos milhões de pessoas, mesmo sem terem lido a obra completa.



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