Organizado no âmbito do 20º aniversário do Departamento de Emergência Social (DES), o Encontro “Desatar nós, criar laços – Abordagens integradas para o Superior Interesse da Criança”, dinamizado pela Fundação CEBI, foi considerado por todos os participantes um verdadeiro momento de troca de saberes, de experiências e de boas práticas.

Reunindo mais de 250 pessoas, vindas de todo o país, este dia, 10 de dezembro, constituiu-se como uma oportunidade para assistir às reflexões de um importante conjunto de Oradores que, na sua práxis, se têm vindo a cruzar com o problema de crianças e jovens em risco.

Olhar para as crianças como cidadãs de pleno direito, conscientes de que estas “não se tratam de miniadultos com minidireitos”, foram as palavras de ordem, dirigidas na Sessão de Abertura por Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral da República, e sublinhadas mais tarde por Idália Serrão – “é preciso recolocar o foco nas crianças, assumindo as mudanças da institucionalização. O caminho não é fácil e as alterações tardam em chegar, no entanto, são Encontros como este que nos levam a adquirir boas práticas”, afirmou a Secretária da Mesa da Assembleia da República.

“Todas as crianças têm o direito de crescer numa família”

Ainda em prol do Superior Interesse da Criança, os requisitos invocados para a necessária mudança de paradigma não ficaram por aqui. Consciente de que muitas vezes “as crianças são os elos mais fracos dos confrontos familiares”, o Juiz Desembargador Paulo Guerra relembrou que “mais do que mudar a Lei, é preciso mudar mentalidades e preconceitos”, até porque “por muitas ‘CEBI’ que existam” com trabalho de qualidade, uma Instituição deve ser sempre um destino temporário.

A ideia foi fundamentada com a necessidade de priorização das medidas de Acolhimento Familiar, em função da institucionalização – propósito também defendido por Celina Cláudio, da Instituição Mundos de Vida, assegurando que “as relações seguras desde a Primeira Infância são essenciais para o desenvolvimento efetivo da criança”. A Responsável pelas respostas de Acolhimento da Associação defendeu que “não é triste ter diversas ligações afetivas. Triste é não ter nenhuma”.

Na sua apresentação sobre “Crianças e Jovens – Comportamentos de Vinculação”, Raquel Corval também defendeu a procura de um “refúgio seguro, com qualidade, previsibilidade e, principalmente, estabilidade” para crianças e jovens em risco. O inevitável e emergente encontro de um “Educador de referência, que promova e aumente a individualização dos cuidados” é uma das soluções apontadas pela Investigadora da Universidade do Minho para o aumento dos vínculos na vivência institucional.

“O DES não tem medo de nos abrir as portas”

A iniciativa, que decorreu nas Instalações da CEBI, foi mais um exemplo da frequente “abertura de portas” do Departamento de Emergência Social. A política, prosseguida pela Instituição ao longo da sua existência, foi apelidada de “reveladora” por Patrícia Lucas. A jornalista da RTP, que moderou um dos painéis do Encontro e que tem visitado o DES no âmbito de inúmeras reportagens sobre crianças institucionalizadas, acrescentou ainda que “quando nos abrem facilmente as portas só pode significar que não nos têm nada a esconder”.

A inovação marcou, também, o Programa escolhido para o Encontro. Num dos painéis que decorreram durante a tarde, moderado por Nuno Rocha, Diretor-adjunto do Departamento de Intervenção Social e Comunitária da CEBI, dois antigos residentes DES e uma mãe adotiva expuseram “as suas histórias de vida”. Os emocionantes testemunhos geraram um momento inédito, ao qual ninguém ficou indiferente.

Durante o Encerramento do Encontro, onde ficou claro que “ainda há muito trabalho a fazer no caminho da prevenção e da reparação”, Armando Leandro, da Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco, saudou a “qualidade e a determinação” da Fundação, afirmando com confiança que a CEBI “é uma grande Instituição”.



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