Num “Mundo de Algodão”, onde havia uma “Escola da Bondade” com uma fonte onde todos os desejos se realizavam, televisões “ginormes” e muitos balões coloridos, os alunos do Colégio José Álvaro Vidal mostraram que ainda não perderam a capacidade de sonhar. E de idealizar o impensável. Nesse local imaginário, que não passava de “um planeta em forma de cubo que voava”, todos os meninos “eram inteligentes e não havia bullying. A chuva era algodão doce em forma de ovelhas. Os jogos eram todos reais. Havia a pizzaria do ‘Five Nights at Freddies’ e todos eram imortais porque não havia doenças. Os pássaros eram os Professores de Música, a tecnologia evoluía de hora a hora e não havia predadores. A água também era diferente de país para país, mudando de cor e de sabor”.

O espaço, apelidado de utópico, foi criado para celebrar o Carnaval da CEBI, onde as crianças de 4 e 5 anos do Pré-escolar e os alunos do 1º ao 9º ano puderam explorar, sem limitações, cada recanto, e receber os seus convidados “com um banquete composto por comida que vinha do céu”.   

Ainda existem alternativas ao que está instituído

A composição da “Ilha da Utopia”, que invadiu grande parte do recinto da Fundação CEBI no dia 5 de fevereiro, foi idealizada, primeiramente, pelos próprios estudantes – “fomos procurar as utopias dos nossos alunos e baseámo-nos nelas, em geral, e no texto de um aluno do 6º ano, em particular”. Depois, foi a vez dos elementos da Comissão de Conceção e Articulação de Ideias da CEBI colocarem mãos à obra: baseados nas sugestões, construíram espaços lúdicos, próprios para experienciar e pôr à prova tudo o que já se encontra pré-determinado.

“Teremos, então, esgotado a nossa capacidade de pensar o impensável? Perdemos, enquanto cultura, a dimensão do utópico?”. As perguntas foram respondidas durante o dia, com a certeza de que “existem sempre alternativas ao que já está instituído”.

“Utopia” não se perdeu. E ainda hoje continua a fazer sentido.

O tema escolhido para assinalar o Carnaval da Fundação CEBI deste ano, onde alunos, Professores e Encarregados de Educação marcaram presença mascarados livremente, surge no âmbito das comemorações sobre os 500 anos da publicação “Utopia” de Thomas More. A obra canónica sobre uma ilha idílica, “em tudo avançada e justa”, foi publicada em 1516 e descrevia “um não-lugar, um sítio imaginário onde se colocava o sonho e a busca, o desejo e a vontade inventiva”. Redigida em Latim, a “Utopia” é considerada por muitos “um escrito fundamental do humanismo”.

O texto não foi o primeiro escrito sobre um ideal utópico, mas, à época, acabou por inaugurar uma tendência de obras publicadas com uma génese comum: a proposta de Projetos alternativos para a Sociedade estabelecida. Cinco séculos depois, o sentido da “Utopia” não se perdeu. E a sua mensagem continua a fazer sentido. Ainda hoje.



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