Em oito épocas de trabalho conjunto, o atleta Diogo Pinhão e o treinador Acácio Paixão guardam várias subidas ao pódio, inúmeras medalhas conquistadas e um caminho cheio de sucessos. Era por isso fácil de imaginar que o percurso do antigo atleta da CEBI seria de sucesso. Com apenas 17 anos, Diogo Pinhão foi contratado pelo Benfica, Clube que agora representa. A mudança, gerida da melhor forma entre atleta, família e treinador, é vista “como a ordem natural das coisas” e um crescimento enorme, que não deixa de representar “mais uma etapa de formação”.

O acordo com o Benfica garante que o Diogo pode, para já, continuar a treinar com o mesmo Grupo da CEBI, dirigido pelo Professor Acácio Paixão.

“Foi uma imposição nossa”, confessaram, até porque, não fazia sentido ser de outra maneira – “este é o meu Grupo de trabalho desde sempre. Já nem sei treinar sem eles. Somos como irmãos”.

“Quando estou a competir, já não fico satisfeito com qualquer lugar”

Com nove intensas horas de treinos semanais, o atleta procura fazer sempre “mais e melhor”, se bem que, atualmente, “o Diogo já é o melhor atleta do país em várias distâncias, já representou a Seleção de Lisboa diversas vezes e a própria Seleção Nacional numa prova internacional”. O somatório do seu sucesso fica a devê-lo ao seu trabalho, que tem que ser contante e diário, até porque “eu gosto muito de correr, mas sei que já trabalho mais a sério e, obviamente, não fico satisfeito com qualquer lugar nas competições em que participo”, confessa.

Mais do que acumular bons resultados, para o treinador da CEBI é também importante gerir a evolução da carreira e a maturidade dos atletas: “foco-me essencialmente no crescimento dos alunos. Longe de mim ter atletas que deixam de ter prazer em correr e passam a ver o Atletismo como uma obrigação”. Talvez por isso, apesar do Diogo Pinhão “já ter sido sondado por outros Clubes, noutras épocas”, só agora é que oficializou um contrato com outro Clube – é preciso ter sempre em conta o “processo de maturação do atleta” que, ao representar um Clube maior, tem uma pressão sobre os resultados “muito superior”.

“Cada época deve ser melhor do que a anterior. O resto vem por acréscimo”

Compreender e apoiar expectativas e motivações, tanto do coletivo como individualmente, é outra das prioridades de Acácio Paixão. Cabe-lhe a ele “gerir um conjunto de desejos e vontades” e, muitas vezes, “descê-los à terra, impor-lhes alguma racionalidade”, sem nunca suprimir a motivação – “os meus atletas são todos muito diferentes, mas posso dizer que tenho um Grupo de topo a nível nacional”.

O sucesso do Diogo serve obviamente de “exemplo para os restantes” alunos de Atletismo da CEBI. Manter o esforço gradual, garantir a estabilidade e definir objetivos a curto prazo são os segredos para o sucesso – “a ideia é que cada época seja melhor que a anterior. O resto vem por acréscimo”.

E se assim for, o treinador da CEBI alerta: “daqui a alguns anos, se o Grupo que temos agora se mantiver sem grandes desvios físicos e comportamentais, muitos dos atletas da Fundação podem chegar onde o Diogo chegou”.



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