Previous Page  9 / 12 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 9 / 12 Next Page
Page Background WWW.FCEBI.ORG

|

9

nos primeiros anos de vida, vem reforçar

a necessidade de novas ideias, progra-

mas, serviços e soluções inovadoras para

alguns dos desafios mais complexos que

os pais, e a comunidade em geral, enfren-

tam. Contudo, devendo esses esforços

ser incentivados, por si só não são sufi-

cientes.

Os resultados da investigação nas ciên-

cias comportamentais e sociais e as

recentes descobertas em neurociência,

biologia e epigenética devem congregar-se

para ajudar a compreender como se pro-

cessa o desenvolvimento saudável, o que

pode compromete-lo e o que pode ser feito

para restaurá-lo.

Sabe-se já que factores como o investi-

mento cuidado (e assegurado) no relacio-

namento prestado por figuras parentais

responsáveis, estimulação precoce e

experiências positivas são pilares na cons-

trução de uma equilibrada arquitectura do

cérebro das crianças. Proporcionar, desde

cedo, os apoios certos para o desenvol-

vimento saudável das crianças produz

melhores resultados do que tentar corrigir

problemas mais tarde.

Contudo, a ciência, por mais interessante

que seja, não nos diz que tipos de servi-

ços e políticas são mais eficazes para

assegurar (ou restaurar) a trajetória de

desenvolvimento para crianças que enfren-

tam e crescem em ambiente de carência

(seja ela qual for).

Não obstante, é reconhecido que uma inter-

venção alicerçada em programas que forta-

leçam as competências parentais, dos Pro-

fessores e Educadores, dos prestadores de

cuidados à infância, bem como a promoção

de estratégias que estabeleçam metas cla-

ramente definidas e de apoio às famílias

– nomeadamente ao nível da habitação,

da protecção social, da saúde – podem

orientar a melhoria contínua na qualidade

de uma ampla gama de políticas e progra-

mas socioeconómicos. Os impactos dos

mesmos estão documentados e incluem

um nível de escolaridade mais elevado,

menor índice de gravidez na adolescência,

aumento da produtividade económica e

redução de comportamentos criminosos

(entre outros).

Podemos e devemos fazer melhor, parti-

cularmente no que concerne a crianças

nos três primeiros anos após o nasci-

mento. Acreditamos que as melhores

práticas devem ser um ponto de partida,

mas não são o destino final. E que o tra-

balho concertado entre diferentes sabe-

res e organismos pode estabelecer redes

de segurança para um melhor, mais trans-

parente e mais justo desenvolvimento. A

história ensina-nos que as maiores inova-

ções, muitas vezes, decorrem da conexão

de ideias já existentes em novas formas

de actuação.

A terminar, há que lembrar que a com-

preensão científica dos impactos das pri-

meiras experiências no cérebro em desen-

volvimento alertam para três factores

fundamentais:

• As primeiras experiências afetam a

vida física e a saúde mental, não ape-

nas aprendizagem;

• O desenvolvimento saudável do cére-

bro requer proteção ao stress exces-

sivo, não apenas enriquecimento

num meio ambiente estimulante;

• Alcançar resultados inovadores para

as crianças que enfrentam adversida-

des significativas exige que apoiemos

os adultos que cuidam delas, no sen-

tido de modificarem as suas próprias

vidas.

A possibilidade de progresso na nossa

capacidade de melhorar as perspectivas de

vida de todas as crianças é real. O tempo

para agir é agora - de forma realista e cons-

trutiva, honrando o dito “Superior Interesse

da Criança”, hoje em dia por tantos usado

em prol de outras audiências que não a de

uma comunidade que seja um lugar melhor

e mais feliz para todas as crianças. Um

mundo melhor faz-se construindo e não

criando o caos onde ele não existe. Con-

vidamos, pois, todos os que compartilham

este sentimento connosco, a juntarem-se

a nós nesta viagem pelo país da realidade

das crianças onde elas mesmas são as

maravilhas. Como? Ouvindo-as, respei-

tando-as e dando-lhes a mão para bem

crescerem.

“Meio século de pesquisas tem

demonstrado que serviços de primeira

infância eficazes são fundamentais

para garantir a salvaguarda das

crianças”