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mas pré-menstruais, centros de reabilitação e até Gabinetes de

Mediação Familiar. Há vírus de computadores, clonagens, enge-

nharias genéticas, biosferas,

scanners

, “comportamentos politi-

camente correctos” e Praças

Tian’anmen

. O mundo complica-se

e sofistica-se à velocidade da luz.

O sistema de protecção quer, assim, codificar as novas e com-

plexas realidades que se lhe deparam perante os olhos e os

costumes, cada vez mais apressadas e multicolores, edificando

leis para a novidade, emitindo regras que reproduzam o sentir

da comunidade que as legitima mas que delas espera uma fide-

lidade incontornável aos seus fluídos, às suas flutuações, às

suas marés, por vezes cheias, tantas vezes vazias.

Ora, é precisamente no reino do Direito da Família e das Crian-

ças e Jovens que tais transformações e conjunturas se fazem

mais sentir, já que estamos no terreno dos afectos, essas inde-

centes obsessões que povoam os sentidos e nos fazem trans-

portar ao recôndito mundo de nós próprios de forma ainda mais

pessoal e porque não clandestina.

Andar por vezes depressa demais, não aproveitando a experiên-

cia vivida de um sistema que demorou a arrancar mas que já dá

sinais de consolidação e sedimentação, é contraproducente e

desaconselhável.

Confiarei no profícuo e optimizante trabalho a efectuar pelas

duas comissões constituídas:

• uma para rever o sistema de ACOLHIMENTO, com aprofunda-

mento do seu modelo enquadrador, articulação com as institui-

ções da rede social, tentativa de diminuição do tempo de institu-

cionalização com a densificação de metodologias que para isso

contribuam e com o aprofundamento do modelo de acolhimento

que respondam às necessidades no âmbito do acolhimento de

emergência;

• outra, para rever o sistema da ADOPÇÃO, avaliando o seu

regime jurídico, reforçando mecanismos operativos e impri-

mindo dinâmicas procedimentais que concorram para a célere

concretização dos projectos de vida de uma criança.

Mas que estejamos todos bem conscientes que, por vezes, não

são as leis que têm de mudar, mas apenas as práticas que

delas fazemos…

Em 2013, nasceram pouco mais de 83 mil crianças em Portugal,

morrendo cerca de 107 mil pessoas.

Ou seja, morre-se mais do que se nasce, sendo, pois, hoje a

criança um bem escasso que urge cuidar o melhor possível, sob

pena de nos extinguirmos como espécie na voragem dos tempos.

Todos queremos qualidade de vida na infância – crianças que

tenham direito a doses equilibradas, por parte dos seus pais ou

cuidadores, de ternura, firmeza e bom trato.

E aqui não podemos falhar.

O Centro de Emergência Social (CES) da CEBI é um bom exem-

plo – celebra 20 anos de comunidade e de colo. Da boa arti-

culação entre os diversos organismos em prol do interesse da

criança.

Temos todos de estar permanentemente acordados pois essa

é a sua luz, aquela que ilumina os casarios e vigia as crianças

portuguesas ou aqui residentes no seu sono.

O sistema tem a sua porção de Poder na mão, mesmo traba-

lhando com consensos e consentimentos bem expressos.

Mas não tenhamos ilusões – o Poder só é necessário para fazer

o Mal.

E não esqueçam o principal -

para fazer todo o resto, muitas

vezes

, basta o

AMOR

!

Consagrados os direitos da criança, numa acepção ontológica

e ampla - reconhecendo-lhe a titularidade de todos os direitos

dos adultos, acrescidos dos que lhe são próprios, decorrentes

da sua condição de criança - exige-se, agora que os mesmos

sejam pensados e aplicados a partir da própria criança,

considerando a manifestação da sua vontade e opinião como

essenciais na tentativa de compreensão da sua singularidade

Álvaro Laborinho Lúcio em “Eu Sou um Cidadãozinho”

EMERGÊNCIA SOCIAL

| DESPERTAR CEBI

O Centro de Emergência Social da Fundação CEBI é um

bom exemplo - celebra 20 anos de comunidade e de colo.

Da boa articulação entre os diversos organismos em prol

do interesse da criança