Plano de Ensino à distância (E@D) | Creche | Fundação CEBI

Plano de Ensino à distância (E@D) | Creche

Fomos confrontados com o desafio imenso de dar continuidade aos processos Educação e cuidados, sem a presença física, sem contacto direto, sem os bebés.

Interrogámo-nos a nós próprios sobre qual seria a forma de o fazer, respeitando a nossa matriz, a nossa exigência e a nossa vontade de o fazer bem. Precisámos de algum tempo para refletir, para nos alinharmos e para garantir que o que iríamos propor faria sentido para nós e traria benefícios para os bebés e para as famílias.

Em referência ao Projeto Pedagógico de Creche - “Dança da Recetividade Mútua” - sistematizámos que nos teríamos que focar no essencial. Respeitar as especificidades dos primeiros anos de vida, pois é nestes primeiros anos que as fundações para as aprendizagens posteriores têm lugar. Respeitar as especificidades de cada criança. Considerar a intencionalidade educativa dos contextos e a participação das famílias. 

Revisitámos os contributos das neurociências nos Processos Educativos. Sabemos que o processo de maturação neurológico não é indiferente às experiências pelas quais o bebé passa. As neurociências dizem-nos também que o cérebro do bebé se desenvolve a partir da relação e da comunicação com os cuidadores. As experiências de vida têm uma importância vital para rentabilizar o potencial máximo da carga genética do bebé. Sabemos ainda através das neurociências que a maturação neurológica se dá por etapas e que existem períodos de maior sensibilidade, ”janelas de oportunidade”. Nesta idade, de 1 a 3 anos, o cérebro está particularmente sensível à entrada de estímulos sensoriais. Cores, movimento, sons e afetividade são estímulos sensoriais básicos na primeira infância.

Sabemos então que as experiências da criança mediadas pela qualidade das relações socioafetivas têm grande influência  na construção de circuitos cerebrais e são cruciais para quase todos os aspetos da sua vida futura. Os estímulos do meio são propiciados através dos cinco sentidos e a aprendizagem acontece pela experimentação. 

Desenhámos, para este último período, um Projeto que denominámos de “Colo de Cultura”, que queremos que contemple: Experiências Musicais, Poesia para Bebés, Dinamização de Pequenos Contos e Dinamização de Pequenas Produções de Teatro para Bebés. Pensámos em experiências desafiantes, securizantes e responsivas. Idealizámos uma pedagogia de encontro com a família.

Daremos continuidade  às experiências musicais, no seguimento do que tem vindo a ser desenvolvido de forma presencial. Nunca excluiremos a música, pelo seu poder no crescimento das crianças. Edwin Gordon diz-nos que o potencial para aprender música nunca é tão elevado como quando se nasce e que, a partir daí, o nosso potencial diminui gradualmente. Propomo-nos guiar musicalmente os bebés enriquecendo a sua coleção de sons, criar significados musicais para que venham a ser capazes de  pensar musicalmente. Quanto mais rico o seu vocabulário sonoro maior será a sua compreensão musical futura. Para além de que está confirmada a importância da música no desenvolvimento do raciocínio lógico matemático. 

Esperamos que pela poesia, pelo conto e pelo teatro consigamos suscitar o espanto nos nossos/vossos bebés e que consigamos estimular a imaginação, reforçar os afetos, promover a linguagem e contribuir para o desenvolvimento da comunicação.

Como iremos desenvolver estas práticas pedagógicas?

Encontrámos novas estratégias que passarão pela elaboração e partilha de pequenos vídeos desenvolvidos pelos Docentes de referência das crianças. Paralelamente iremos elaborando um género de guião teórico pois desejamos que pais e mães sejam fortes aliados nestas experiências educativas.