Descobrir que “isto de fazer Teatro dá muito trabalho” e aprender “a sorrir para libertar a pressão”. Foi desta forma que os grupos de Teatro da Fundação CEBI subiram novamente a palco para estrearem mais uma peça escrita propositadamente para ser encenada no Festival “PANOS – palcos novos, palavras novas”. “Atalhos”, de Joana Craveiro, foi o texto escolhido pelos dois grupos de jovens atores do Colégio José Álvaro Vidal. As interpretações viveram da exploração de ângulos distintos, mas a ousadia, essa, marcou ambas as encenações. 

Depois das interpretações serem avaliadas por um Comité de Seleção da Culturgest, o Grupo Cénico da CEBI, dirigido pela Professora Catarina Loureiro, foi selecionado para estar presente no espetáculo de encerramento do Festival. Pela 4ª vez, a Fundação vai estar representada no palco da Culturgest. 

Os atores da CEBI estiveram em competição com mais de 30 grupos escolares e juvenis. Foi, por isso, com muita satisfação, que os elementos do Grupo receberam a notícia de que iam voltar a representar a Fundação no “PANOS – palcos novos, palavras novas”. É que, afinal, as experiências que julgavam ser apenas “De-Uma-Vez-Na-Vida” podem ser revividas. Duas. Ou mais vezes.

Grupo Cénico atua no Grande Auditório da Culturgest a 21 de maio

“Este Grupo nasceu há 10 anos”, recordou Catarina Loureiro. A Professora de Teatro do Colégio José Álvaro Vidal soma uma década à frente do conjunto de jovens atores, que diversas vezes é renovado – existem elementos que se mantêm, outros que têm que abandonar “o palco”. E há sempre aqueles que se juntam para descobrir “o que está nos bastidores”. Ainda assim, 10 anos seria motivo suficiente para uma “festa com direito a bolo e velas”. No entanto, as (maiores) comemorações são deixadas para serem vividas em cima do palco.

Era dia 28 de abril. O dia da estreia chegou muito rápido. No processo de ensaios, passaram “por momentos coletivos de catarse, de explosão e de lágrimas”. E aprenderam “a resistir”. No dia de estreia, um júri do Comité de Seleção da Culturgest, entidade que dirige o Projeto “PANOS – palcos novos, palavras novas”, esteve na CEBI. Assistiu à estreia de “Atalhos” e, no final do espetáculo, conversou com os 12 elementos que compõem o Grupo Cénico. Alexandra Serralheiro, Diogo Dias, Diogo Severino, Francisco Bartolomeu, Gonçalo Carvalho, Gonçalo Grilo, Inês Luís, Marta Carneiro, Ricardo Mata, Rita Bernardo, Ruben Durães e Tatiana Durães convenceram. Na forma como interpretaram o texto proposto. Na encenação. E, principalmente, no papel concreto que tiveram na cocriação do espetáculo.

A interpretação repetiu-se a 29 de abril, novamente na Sala de Espetáculos improvisada, de forma intimista, no Pavilhão Gimnodesportivo da Fundação CEBI. Sempre com casa cheia. A história de cinco jovens a “empreenderem uma viagem por entre as suas dúvidas e desadequações da realidade”.

No dia 21 de maio é a vez do Grande Auditório da Culturgest abrir portas à interpretação do Grupo Cénico da CEBI, num espetáculo que é “essencialmente sobre a memória. A coletiva. E a individual. E a fronteira entre as duas”.

“Contemplar estes jovens a trabalhar e a crescer”

A mesma viagem foi feita pelo Grupo de Teatro da Fundação. Com encenação, cenografia e figurinos projetados pelo Professor Gonçalo Quirino, o elenco percorreu um caminho de “altos e baixos” que “dependeu muito do esforço e dedicação de cada um”. Em palco, revela a sinopse, sentiram-se “desajustados, incompreendidos e perdidos”. As cinco personagens principais da história refugiaram-se “destas inquietações numa viagem pelo mundo” que foi “muito mais do que um escape”. Num ato de coragem, onde tentaram “procurar entender a verdade das coisas no meio de tantas informações contraditórias”, percorreram “o caminho mais longo”, tentando “ir ao cerne das questões”. Sem se aperceberem, construíram, ao mesmo tempo, um marco no seu crescimento: “a consciência de que há mais”.

A interpretação do Grupo de Teatro, constituído por Bruno Correia, Diogo Janeiro, Inês Coelho, Inês Sousa, Helena Bento, Joana Bogarim, Márcia Silva, Mariana Rodrigues, Pedro Gil, Soledade Baptista e Tatiana Teixeira, também esteve integrada na primeira fase do “PANOS”. Depois das apresentações que decorreram na CEBI, entre os dias 20 e 22 de abril, não foram dos conjuntos selecionados para fazer parte do espetáculo de encerramento da 10.ª edição do Festival. Ainda assim, ninguém lhes retira o meritório desempenho “em fazer um espetáculo dinâmico com um texto tão intimista”. Talvez por isso, para Gonçalo Quirino, tantas vezes “dá vontade de ignorar o lado doido da Humanidade e ficar simplesmente a contemplar estes miúdos a trabalhar e a crescer”.

Mais de 30 grupos escolares e juvenis estiveram em competição

Depois de um ano de pausa, o Festival “PANOS – palcos novos, palavras novas” regressou este ano ao ativo. O Projeto, que alia o Teatro Escolar e Juvenil às novas dramaturgias, é inspirado no Programa “Connections” do National Theatre de Londres e dinamizado, em Portugal, pela Culturgest. 

Este ano, mais de 30 grupos escolares e juvenis nacionais escolheram encenar um dos três textos originais propostos: “Aos Poucos” de Tina Satter, “Atalhos” de Joana Craveiro ou “Ode Inacabada” de Cláudia R. Sampaio. Nas exibições que compõem o espetáculo de encerramento do Festival “mostram-se dois espetáculos de cada texto”, escritos e estreados propositadamente para o “PANOS”.



VOLTAR